Quinta-feira, Outubro 15, 2009

Manga amarela, cheiro de infância.
Terra molhada, abraço de vó.
Sobe na árvore, corre na rua.
Fecha os olhinhos e sonho em ser grande.
Ah se ela soubesse...

Sábado, Outubro 10, 2009

Limpeza, revigorante e plena. Jornais velhos, roupas mofadas, tudo junto emaranhado com a mágoa. Tudo pro lixo, pra decomposição. Sobram vestígios, uma soma de não-sentimentos. É menos triste, mais prático. O que fica guardado perde a cor, perde a intensidade, são marcas e cicatrizes que aos poucos vão sumindo. Na linha do tempo perdem a importância assim como as folhas que um dia foram verdes.

O mundo das adversidades fica próximo, escondido sob falsas perspectivas de problematização. O fácil, escancarado é a melhor parte dessa classificação. Difícil, difícil.

Quarta-feira, Setembro 09, 2009

A Metamorfose em Cortázar

O escrito a seguir, reproduzido no original, apresenta de forma simples a densidade das transformações. Essas, operadas em todas as instâncias, são simbolizadas na materialidade do jornal e de seus usos. Na clareza da linguagem e em seu uso inteligente é o que o autor atesta a sua genialidade.


El diario a diario

Un señor toma el tranvía después de comprar el diario y ponérselo bajo el brazo. Media hora más tarde desciende con el mismo diario bajo el brazo.
Pero ya no es el mismo diario, ahora es un montón de hojas impresas que el señor abandona en un banco de plaza.
Apenas queda solo en el banco, el montón de hojas impresas se convierte otra vez en un diario, hasta que un muchacho lo ve, lo lee, y lo deja convertido en un montón de hojas impresas.
Apenas queda solo en el banco, el montón de hojas impresas se convierte otra vez en un diario, hasta que una ancioana lo encuentra, lo lee, y lo deja convertido en un montón de hojas impresas. Luego se lo lleva a su casa y en el camino lo usa para empaquetar medio kilo de acelgas, que es para lo que sirven los diarios después de estas excitantes metamorfosis.


Cortázar, Julio. El diario a diario. In: Historias de Cronopios y de famas. 2ed. Buenos Aires: Punto de Lectura, 2007.

Sábado, Agosto 15, 2009

E aí que nesse vai e vem de coisas vãs sobrou sorriso e bem estar. Eu bem que não esperava. Mas entre o cotidiano se escondem as surpresas e os corações arrebatados. Tão bom dormir assim.

Sábado, Julho 11, 2009

Reflexo, e a exatidão nada.
Roda em círculos, mira, se olha.
Faz de tudo uma coceira.
Talvez isso, pode ser que aquilo...
É tanto um não saber, que o não-encontro visual é óbvio.
Quem é você? Você, quem é?

Segunda-feira, Julho 06, 2009

Mude o tema Dona Moça.
Mude o tom, a cor pastel.
O inesperado dos caminhos é menos Destino. Opção.
E se disser que a intenção foi boa, juro que me esforço pra rir.
Tanta pena no bolso.
Jogo fora, vale muito mandar tudo aos ares.
Fluxus, renovação.
Um dedo quebrado e o tal por vir!

Quarta-feira, Maio 27, 2009

Incontestavelmente me pronuncio aqui sem mais delongas: cansei!
Chega desses rubores infantis, dessa balela toda, o mais do mesmo, puro nhé nhé nhé.
Olha, se não tiver mais vida, um brilinho qualquer no olho, pode ir seguindo a linha.
Não consultei horóscopo nem cartomante, mas que aí tem, ahhhhh tem.
E ai de quem me interpele sem proposições! Palmatória! Palmatórias!
Já!