30 abril 2017

rumo à Vrindavan

hoje acordei triste
pois faz frio aqui – dentro - na montanha
a Bossa Nova em francês combina
o vazio e a brevidade das folhas verde-escuro
estou atrasada para a feirinha de orgânicos do centro
ato falho com ingestão de inseticidas
pequeno suicídio adolescente
bobinho como esse poema de sol em peixes/lua em câncer
uma ode ao tempo que escorre
vou escrever até sorrir
até decolar dessa base, essa cidade astral
-       penso em me mudar de atlântida
mentira! já confessei essa incapacidade
tenho formigamento na ponta dos dedos
onde me brotam as folhinhas d’aroeira
3 banhos para salvar
xangô
oxossi
oxum
mel puro de abelhas nativas
originárias de Vrindavan
minha nova cidade porto-exílio
que desespero esperar esse trem que nunca chega
estou esquecendo lentamente a tonalidade dos teus olhos
o cheiro da esquina entre a nuca e o ombro
lavanda
lavanda
tudo que me suja os pés y o sexo
lavanda
embebendo os lençóis, os meus pelos fartos
cobertores
pois faz frio dentro
da montanha
e buscamos incessantemente algum vulcão adormecido
algo com que cessar esse sopro anil
minha cor preferida é vermelho
decoolage sur la tua pele lune
em 4 dias estaremos eternas
uivando como novembro em Niterói
em que éramos felizes, heroicamente felizes
as samambaias, as modinhas de samba e salivas intermináveis
memória-redenção
âncora pra evitar naufrágios de balões
esse ar todo que de tão imenso escapa

Um comentário:

Henrique disse...

uivando pra lua como novembro em Niterói e vem chegando o verão e ele chegou e fez uma lambança de tão gostoso


ana beatriz adoro seus poemas.